Máquina Dourada

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A Gravura da Mão, Estilete de Astro o Rastro do Eterno

Há eclosões fulgurais em que o infinito desnuda sua medula radiante, arrancando a túnica da ininteligibilidade que recobre o curso trivial dos dias. Nesses instantes siderais, a existência, outrora cifrada em hieróglifos indevassáveis, agora como códice aberto: outrora acidente agora desígnio, a entropia em sinfonia, e o fardo do ser, outrora insondável, agora talhado pela própria mão que o carrega. O sujeito, então, não mais se debate nas teias do absurdo, mas inclina-se ante o santuário de sua própria sina, como viajante que reconhece, em cada pedra do caminho, a gravura de sua própria mão.

Mas a epifania é criatura do fugaz. Tal qual o solstício, que fulgura e se esvai, o espírito, após o êxtase, recai na letargia das névoas perpétuas. O universo, outrora diáfano, cerra-se novamente em arcano impenetrável. A senda iluminada transmuta-se em dédalo de eclipse, onde cada passo é hesitação, cada horizonte, vislumbre. A solidão que então advém não é geográfica, é metafísica: habitamos um ermo de perguntas sem réplica, um exílio onde até o eco se nega a reverberar. A sabedoria, porém, não se nutre do singelo culto ao provisório, mas da liturgia de consagrar o vislumbre em pilar perene. Não basta evocar, como um necromante, os fantasmas da lucidez passada; urge alquimizar o lampejo em lâmpada inextinguível, tecendo seus raios na trama do prosaico até que o trivial resplandeça como relíquia. O sábio, assim, não arquiva os clarões em catacumbas mnemônicas, mas os insufla no hálito cotidiano, forjando do efêmero uma morada imarcescível. Seu espírito, então, não vagueia mais à mercê do vazio, mas traça, com estilete de astro, constelações sobre o papiro da consciência banal. Eis o ápice dessa arte em suportar o peso duplo da luz e da escuridão, na corda bamba do êxtase e do desalento. Pois o infinito, em seu perpétuo abrir e fechar da bruma, não é tirano, é mestre: ensina que a iluminação jaz na perícia de decifrar, nas pausas da noite, os vestígios fosforescentes deixados pelos instantes siderais. Assim, cada fresta de mistério é altar onde se venera o rastro do fulgor, e cada tropeço, chave para desvendar a cartografia do destino.

Autor: Máquina Dourada