Máquina Dourada

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A Inteligência no Terreno dos Estéreis

Em meio à conflagração retórica que assola os diálogos dos homens, urge refletir sobre a sentença sapiencial que admoesta, não se deve entabular litígios verbais com o estulto. Tal ação, longe de ser exercício de eloquência, apenas descenso ignominioso as escassez da irracionalidade, onde o demente, senhor da sua própria ignorância, triunfa pela familiaridade com a tolice. É como embrenhar-se em um labirinto cego, onde o fio de Ariadne foi substituído por miragens de sofisma, e o adversário, imerso em sua própria demência, arrasta o interlocutor à planície árida onde a lógica é exilada.

O diálogo, quando posto a serviço da insensatez, degenera-se em mônada estéril. O insipiente, abdicando das leis que ordenam o universo, refugia-se na fortaleza inexpugnável da contradição voluntária, onde toda premissa se dissolve em non sequitur e todo silogismo se enoda em falácia ad hominem. Confrontá-lo não é debate, mas pantomima grotesca, teatro do absurdo em que o racional veste a fantasia de harlequim e dança ao som de uma lira desafinada.

Recordemos a alegoria do morto que recebe bálsamo: a cura pressupõe vida latente, receptáculo capaz de metabolizar o remédio. Oferecer argumentos a quem renunciou à razão é gesto tão quixotesco quanto carregar água em balde furado. A palavra, divina centelha, perde seu poder transformador quando lançada ao vácuo de um ânimo petrificado.

Quem ousa desafiar tal inanidade dialética, ainda que munido de erudição e clareza, assemelha-se ao geômetra que traça círculos perfeitos sobre as ondas do mar: o traço existe, mas é engolido pelo caos aquoso antes mesmo de revelar sua forma final. O estulto, qual titã da ignorância, não busca a verdade, mas a carnificina retórica, onde vence não quem ilumina, mas quem mais rápido mergulha na desarmonia.

Vitória é recusar-se a entrar no pantanal dos insanos. Preservar a integridade do pensamento requer discernimento para reconhecer quando a batalha é produtiva. Como escreveu o poeta em tom oracular: “Melhor ser fênix solitária nas alturas do que flor de lótus perdida na enxurrada”.

Portanto, àquele que almeja a quietude letífica do sábio, resta apenas estoicismo: deixar que o insensato afogue-se em seu próprio verbo, enquanto o lúcido contempla, impassível, o espetáculo da desrazão desde o Olimpo inatingível de sua lucidez.

Autor: Máquina Dourada