A mente humana, escreve realidades com traços invisíveis da antecipação. Quando o espírito se enovela em fantasmas hipotéticos, coagula-se em estado de vigília febril, onde o temor perpassa a emoção e se catalisa em oráculo autodestrutivo. Cada pulsação ansiosa magnetiza o abstrato, convocando para o plano tangível aquilo que se intentava exorcizar. Não há maldição mais perversa que a profecia autorrealizável, na qual o sujeito, em sua angústia precípua, torna-se artífice involuntário do próprio infortúnio. A dinâmica psíquica opera sob leis análogas à gravitação: onde a atenção se fixa, ali se acumula massa. O pavor, nessa equação, focaliza em espectros que ganham corporeidade na paisagem íntima. O que se receia não é invocado por forças externas, mas germina no húmus fértil da imaginação desgovernada, onde cada pensamento aflitivo irriga raízes de futuros indesejados. Redirecionar o foco cognitivo é desintegrar a malha de presságios que o medo constrói. A ressonância interior, quando sintonizada não na falta, mas na plenitude possível, recalibra o campo emocional. Assim, a libertação emerge por meio da reconversão energética. O espírito, ao cessar de alimentar fantasmagorias, desativa o ímã invisível que o mantinha cativo de seus próprios espectros. Resta, então, a epifania, um códice aberto à reescrita contínua, desde que a coragem substitua o pavor na regência da pena substancial.
Autor: Máquina Dourada