Aos chatos, a apatia do ostracismo, aos tediosos, a indiferença do exílio. Erra-se ao rotular um entediante como inimigo, pois inimigo é um cargo alto, um posto elevado. “Inimigo” é um cargo que, para ser ocupado, requer que o outro primeiro possua habilidades e competências. Seriam seus inimigos verdadeiros antagonistas ou apenas indivíduos enfadonhos? Por vezes, seus tão propalados “inimigos”, “contrincantes”, “rivais”, “oponentes”, “adversários”, não passam de meros aborrecidos. Não dê grandes cargos aos idiotas. Ao chamar um idiota de inimigo, você enalteceu o idiota, e disse que ele é competente e capaz.
Designar alguém como inimigo é conferir-lhe um cargo ou uma posição de destaque, e afirmar que ele possui capacidade e competência para ocupá-lo… Não dê cargos significativos a tolos. Ao denominar um insensato como inimigo, você o enaltece e declara que ele é capaz e apto. Inimigo é cargo, não acidente, as vezes até um elogio disfarçado. Não transforme moscas em dragões, rivais são raros, chatos são pragas. Não promova incompetentes. Na vida, é importante hierarquizar até o “ódio”.
Aos que importunam com sua presença monótona, reserve-se o desdém do abandono. Pois “inimigo” é um título que implica respeito, admiração mesmo, por sua capacidade de provocar desafios e obstáculos. Aquele que apenas incomoda, sem apresentar habilidades notáveis, não merece tal distinção.
Evite exaltar os medíocres com o título de inimigo, pois isso apenas lhes confere uma importância indevida, alimentando seu ego e lhes concedendo um lugar de honra que não fazem por merecer. Em vez disso, trate-os com a indiferença que eles efetivamente merecem, negando-lhes a atenção e o reconhecimento que tanto almejam.
Aqueles que apenas destilam aborrecimento e tédio não devem ser elevados à categoria de inimigos, pois isso seria um equívoco grave, uma injustiça contra aqueles que verdadeiramente possuem talento e habilidade suficientes para ocupar tal posto. Reservemos o título de inimigo para poucos e raros, não para aqueles que apenas conseguem incomodar e importunar.
Não se deve confundir a irritação causada por um indivíduo chato com a admiração e o respeito que se deve a um verdadeiro inimigo. São sentimentos e conceitos distintos, que não devem ser mesclados.
Interpretar grafitti vulgares como tratados filosóficos é violência exegética. A glossofasia do conflito requer textos sagrados escritos em linguagem cifrada de igual complexidade. Rabiscos em muros não merecem o labor de decifração reservado por exemplo aos pergaminhos de Nag Hammadi.
Manuscritos iluminados não se corrompem com glosas marginais de escribas medíocres. A guerra dos tomos ocorre entre volumes equivalentes na biblioteca universal. Anotações tolas nas entrelinhas merecem, quando muito, a borracha silenciosa do tempo, não a tinta vermelha da refutação cerimonial.
Conceder habeas corpus a delitos emocionais de terceira classe é perversão forense. O tribunal deve julgar apenas crimes capitais cometidos por mentes à altura do código penal da dignidade. Processos menores carecem de arquivamento imediato no porão das irrelevâncias.
Ao fim e ao cabo, é fundamental manter a perspectiva e a lucidez necessárias para distinguir os verdadeiros inimigos dos idiotas aborrecidos, evitando assim o erro de conferir importância e destaque àqueles que não os merecem. Pois, no fundo, trata-se de uma questão de justiça e equilíbrio, de não recompensar a mediocridade com a atenção e o respeito que só devem ser dedicados àqueles que efetivamente os merecem.
Autor: Máquina Dourada